Taxa mista já domina crédito à habitação A taxa mista representa 80% dos novos créditos à habitação em Portugal, uma forte subida face aos 10% registados entre 2019 e 2021. 30 set 2026 min de leitura Taxa mista ganha espaço nos bancos A taxa mista tornou-se a principal opção nos novos créditos à habitação em Portugal. Segundo o Banco de Portugal (BdP), esta modalidade representou cerca de 80% do montante dos empréstimos contratados no primeiro semestre de 2026. A evolução contrasta com o cenário entre 2019 e 2021, quando a taxa mista representava apenas 10% do montante dos novos créditos. Na altura, a taxa variável dominava o mercado, com um peso de 86%. A mudança começou a acelerar em 2022, num contexto de subida das taxas de juro e de maior incerteza quanto à evolução da Euribor. Os bancos passaram também a promover mais esta modalidade, embora a adoção tenha ocorrido a ritmos diferentes entre instituições. O aumento da procura está igualmente relacionado com a evolução dos preços. Até ao final de 2022, os contratos com taxa mista eram, em média, mais caros do que os de taxa variável. A situação inverteu-se posteriormente e, em alguns meses de 2024, a diferença chegou a ultrapassar um ponto percentual. A taxa mista permite fixar os juros durante um período inicial e passar depois para uma taxa variável. A legislação passou ainda a obrigar os bancos a apresentar simulações das modalidades fixa, variável e mista na contratação de crédito para habitação própria e permanente. Período fixo dura cerca de dois anos Apesar da crescente utilização da taxa mista, o período de fixação inicial dos juros em Portugal continua a ser relativamente curto. Os dados do BdP apontam para uma duração mediana próxima dos dois anos, enquanto noutros países da área do euro são frequentes períodos superiores a dez anos. Depois desta fase, a prestação passa a acompanhar a evolução da Euribor, caso não exista uma alteração das condições do contrato. A duração do período fixo é, por isso, um dos elementos a considerar nesta modalidade. O BdP identificou ainda diferenças relacionadas com o perfil dos mutuários. Os contratos com pelo menos um devedor estrangeiro recorrem mais à taxa mista, enquanto os mutuários com rendimentos mais elevados apresentam uma menor utilização desta opção. Os primeiros contratos celebrados com esta modalidade começam entretanto a chegar ao final do período fixo. Cerca de 20% dos contratos com taxa mista concedidos em 2023 que já tinham passado à fase variável até março de 2026 foram renegociados perto dessa transição. Em aproximadamente 40% desses casos, a renegociação voltou a fixar a taxa durante pelo menos mais dois anos. O BdP salienta, contudo, que os dados ainda são preliminares, uma vez que muitos dos contratos celebrados desde 2023 ainda não chegaram a esta fase. A tendência surge num mercado de crédito à habitação que continua a crescer. Em julho de 2026, o endividamento dos particulares aumentou 1,6 mil milhões de euros, dos quais 1,2 mil milhões corresponderam a crédito à habitação, segundo o BdP. Fonte: casa.sapo.pt Partilhar artigo FacebookXPinterestWhatsAppCopiar link Link copiado